quarta-feira, 20 de março de 2013

MARCO FELICIANO

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos" [Marco Feliciano]

Há dias eu tenho acompanhado as declarações do nosso Ilustre Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Não tenho me manifestado. Por duas razões: a primeira, é porque eu respeito os evangélicos. Respeito, não só porque minha família quase toda é, mas porque acho que ninguém pode ser criticado por manter convicções religiosas (eu respeito até o Silas Malafaia); a segunda é porque não gosto de polêmica e acredito muito naquela frase [clássica] que diz "posso não concordar com o que dizes, mas defendo até a  morte o direito de dizê-las". Hoje, no entanto, perdi a paciência com esse ser humano.

Perdi a paciência, não porque sou feminista. Aliás, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que eu jamais queimaria soutien por aí. Que eu adoraria estar, neste momento, tocando piano e lendo livros em grupo [olhando seriados - sim, porque aceito a evolução]. Não perdi a paciência só porque ele ofende os gays e metade dos meus amigos homens são homossexuais. Eles - TODOS - tem um caráter mais reto e bondoso do que a maioria dos heterossexuais que eu conheço, mas nunca senti que precisava defende-los me manifestando. Aliás, eles se defendem sozinhos e muito bem das atrocidades verbais que leem por aí. Pra mim, o fato deles se interessarem por "xypsilons" e não por "xxizes" não faz a menor diferença. Pff!

Eu perdi a paciência porque não simpatizo com quem não domina a língua portuguesa. Muito menos com quem não sabe falar uma frase com coerência. Perco a paciência com gente que confunde conceitos. "Mulher trabalhando", pro querido defensor das minorias, virou "mulher que não casa". Pior é a estatística: mulher que trabalha demais, só por isso, se interessa por mulher. Se quero os direitos dos homens, é porque quero ser homem, certo Marco Feliciano? Errado. 

Errado. Tudo errado. Errado confundir homossexualidade com pedofilia (dicionário no homem, please!). Errado julgar uma raça amaldiçoada por uma interpretação supostamente bíblica (amaldiçoada sou eu que tenho que ficar lendo as declarações desse homem). Errado dizer que Deus não vai ajudar se o vivente só der o cartão e não a senha. Errado porque essas declarações não representam a fé evangélica. Essas declarações apenas deturpam o objetivo de qualquer religião: espalhar o amor. Elas propagam o ódio e não acredito que alguém ache natural ou que afirme que este homem fala tanta besteira em nome de Deus.

E o pior: a ignorância vai longe. Agora no facebook, milhares de pessoas estão compartilhando uma frase atribuída ao Jean Wyllys, sem sequer pesquisar no google (tão fácil, gente) se a procedência é verdadeira. Coincidentemente, isso também parece ter partido dos seguidores bem instruídos do Tio Marco Feliciano, essa jóia preciosa que habita a Terra e que agora foi escolhida para presidir as minorias. E tem gente que defende. Não tem a ver com religião. É caráter. É com isso que algumas pessoas se identificam. Lamentável.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A FALTA DE FÉ QUE ME FAZ...


Em épocas de democratização da comunicação, em que é permitido que todos opinem sobre tudo, desenvolvi um prazer mórbido em ler as manifestações opinativas sobre determinado tópico, texto e manifestação crítica na internet. Essa patologia tem até um modus operandi: primeiro eu degusto o texto e depois meus olhos se dirigem, sem pudor, ao universo de comentários que se situa, geralmente, abaixo dele. É aí que eu meu cérebro emite pro meu corpo uma série de sensações.

Os seres pensantes da web se traduzem em várias categorias. Primeiro, o grupo de apoio que se subdivide em: puxa-sacos (20%), amigos do autor do texto (60%), os sem-opinião-que-preferem-não-contrariar-ninguém (19%) e, por fim, os que realmente entenderam a idéia do texto e o apoiam (1%). Essa turma é pacífica e geralmente utiliza palavras de otimismo e de afeto, rasgando elogios ao autor, à escrita, ao tema, ao mundo e à vida.

Logo depois encontramos o grupo dos comediantes, que trata todo e qualquer assunto com muito bom humor, mesmo quando o texto trata de catástrofe e morte. Esses são subdividos em: piadistas (50%), ironicos (20%), sarcásticos (20%) e trolladores (10%). Os meus preferidos são os irônicos e sarcásticos, que não raro são confundidos com o primeiro grupo e apoiados, mesmo não concordando meio por cento com a idéia central do texto.

O terceiro grupo é a tribo dos críticos. Tem muita gente boa participando dele, como por exemplo os questionadores (30%). Mas também tem muita mala-sem-alça, como os revoltados-sem-causa (40%), os indignados-com-o-mundo (10%) e os do-contra (20%) que são capazes de contrariar as próprias opiniões para contrariar a idéia do texto. Esse grupo é conhecido pelo número de pontos de interrogação utilizados e por contar histórias pseudo-reais envolvendo o assunto desenvolvido com resultado diferente da conclusão sugerida pelo autor.

E por último, o mais perigoso, é o grupo dos xiitas. Eu costumo separar esse grupo em pessoas-que-não-fazem-sexo (30%), semi-analfabetos (50%), descontrolados (10%), bagaceiros e idiotas (9%) e os terroristas (1%) – nessa última categoria, se incluem os criminosos de todo-o-gênero. São conhecidos por usarem a CAPS LOCK com frequência e são seres desprovidos de argumento, recorrendo a palavras de baixo-calão e apelando pra ataques pessoais contra o autor do texto, mesmo quando o autor não é conhecido. Esse grupo, não raro, desconhece a gramática.

E eu, no meio dessa fauna comentarista, fico seriamente impressionada e tenho um certo saudosismo da era da exclusão digital, em que o acesso à informações era escasso e o direito a opinião ficava restrito ao ambiente familiar e não se multiplicava – assim indiscriminadamente – pelas redes sociais, produzindo discussões inúteis e superficiais e muitas vezes disseminando covardemente o ódio que fica escondido atrás de computadores e androids.

Eu sei, esse texto também é uma opinião, mas a humanidade, de boca fechada, me inspirava mais fé.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

PARADOXOS



Pode um grito ser silencioso?

[Jon Snow, Guerra dos Tronos - A Fúria dos Reis, de George R. R. Martin]

quarta-feira, 6 de junho de 2012

MULHERES



- Fale sobre as mulheres em seu mundo, capitão.
- O que gostaria de saber?
- Será que a tecnologia as mudou... fazendo delas apenas pessoas ao invés de mulheres?
- Mundos podem mudar. Galáxias se desintegrar. Mas uma mulher... é sempre uma mulher.

[Star Trek TOS, The Conscience of the King]

quarta-feira, 30 de maio de 2012

ANTES QUE O ESQUECIMENTO...

Li uma postagem de um amigo cheio de saudosismo dos veraneios em Nova Tramandaí e, como não poderia deixar de ser, minha mente imediatamente remeteu aos meus inesquecíveis verões na Tramandaí -que não era Nova como a do meu amigo, mas que era igualmente especial -.

Até a minha adolescência, 1/4 do meu ano, ao menos, eu dedicava à praia. Três meses insuficientes. Ainda lembro de passar as manhãs no mar e chegar em casa e ter o almoço preparado pela minha Vó Ivone, ao meio dia em ponto. Sim, em ponto. Sem concessões. Era um almoço sem conversas porque o Vô Antônio não curtia balbúrdias à mesa. Certamente estão no topo das pessoas que eu mais sinto saudade.

Também lembro das caminhadas na beira da praia com meu pai. Lembro que nós caminhávamos até a fronteira com Imbé, nas pedras, catávamos conchinhas (sacos e sacos de conchinhas) e depois, orgulhosos, mostrávamos pra mãe. Lembro que encontramos uma vez uma estrela do mar. Não lembro se no trajeto conversávamos ou ficávamos em silêncio procurando conchas, estrelas do mar ou caramujos no chão. Lembro só que era um momento especial.

Eu lembro da rede na frente da casa. E dos amigos da mesma rua, que eu só recordo o primeiro nome: a Cristina, de Igrejinha; a Paula e a Janaína, de Passo Fundo; o Diego, também de Passo Fundo e os "donos da azaléia", cujo nome simplesmente eu não lembro, [nem deviam ser donos, porque quando a gente é criança tudo é muito maior do que realmente é]. Também lembro do Chico. Que deu origem ao meu primeiro cacho. Um cacho chamado Chico. Desconfio que foi nessa época que comecei a ficar crespa.

E não tem como não lembrar dos momentos com a minha prima Taci, das vezes que sentávamos na esquina pra ver o movimento (cof, cof!) , quando esperávamos os nossos primos e primas (a Má e Pati) chegarem das festas, do Planeta Atlântida, das baladas que, na época, nós somente sonhavamos em ir. Entre picolés, andanças de roller pela calçada e muito crepe, nos éramos plenamente felizes!

Como não lembrar da Dilena nessa época? Aquela amiga de infância inseparável que a gente não desgruda nem pra ir a praia. Aquela que está do seu lado comendo pão cacetinho e batata palha com maionese em plena manhã de verão, em Tramandaí. E a Polentina? Pobrezinha. Tinha também o Luizinho, o guri responsável pelas minhas piadas preferidas (sim, lá em casa todo mundo é gordinho, foi ele que me ensinou) e por mostrar, lá no céu de Tramandaí mesmo, a constelação que parece um cara atirando uma flecha (que eu mostro pra todo mundo e só 10% dos meus amigos vê).

Acho que dá pra dizer que os meus veraneios definiram um pouco do que eu me tornei hoje. E esse texto é pra nunca me esquecer disso, antes que o esquecimento, como canta o Chico Buarque, "lance seu manto, seu manto cinzento".

Saudade é pouco.