domingo, 8 de maio de 2011

SOBRE O MEDIANO




- Rita, você tem um sonho? Para a sua vida? Seu futuro?
- Claro. Você não tem?
- Pode parecer estranho. Quero um dia estar satisfeito com as coisas. Apenas me sentir confortável como todo mundo. Eu quero..
- Uma vida normal.
- É. Uma vida normal.
- Isso é também tudo que eu quero Dexter. Só isso.
- Nada de fama, fortuna ou agito em cada esquina?
- Não. Prefiro a chatice normal.
- O mediano.
- O ordinário.
- Isso é estranho, hein?
- É.


[Dexter. 1ª temporada/5º episódio]

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ADMIRAÇÃO


Falavam de sentimentos. Questionada sobre o mais relevante, respondeu de imediato: admiração. A razão lhe parecia clara. Não tinha nada contra o amor. Ao contrário, entendia o amor como uma admiração amadurecida. A idéia não lhe era inédita. Jung e Freud não haviam dito isso em outros termos? A admiração não era então o primeiro sentimento a despertar na alma humana? Admiração, a precursora do amor. Como sabia? Questionavam. Ora, quantos questionamentos! Sabia, porque sabia. Não ousava confessar que já havia experimentado a admiração em sua forma mais pura. E como era doce! Lembrava de cada detalhe, de cada sensação, da magia da descoberta. Mas havia acabado, pensava. Entretanto, persistia o amor, sentimento independente, de relevância questionável, mas de vitalidade inabalável! Como sabia? Questionou a si mesma. Conhecimento, pensou, baseado puramente em experiências. Quem ousaria contesta-la?

domingo, 3 de abril de 2011

SOBRE O SOFRIMENTO


- O sofrimento é um hábito, Sofia.  Se uma pessoa caminha sempre pelo mesmo trilho,  a grama não cresce! É preciso encontrar um caminho alternativo.
- É. Mas se a grama tiver morta, ela não vai crescer nem que você pare de passar!
- É simples: planta-se novamente. É a grande sacada da vida.
- Mas se a terra não for boa, não vai adiantar plantar.
- Sofia, onde cresceu a grama uma vez, sempre é possível que cresça de novo.
- Faz sentido.. mas são apenas probabilidades.
- Isso. E probabilidade é um tema para outra conversa...

segunda-feira, 28 de março de 2011

EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE


- Desde que o mundo é mundo, a dor é o único instrumento de evolução e crescimento.
- Mas, pai, tinha um menino no Paquistão que nunca sentia dor. Então quer dizer que ele ia ser criança para sempre?
- Não Sofia. Eu falo da dor em seu aspecto subjetivo. E, depois, o que esse menino tinha era uma doença rara que só se manifesta quando a pessoa herda dois genes defeituosos: um do pai e um da mãe.
- Ah, entendi. Os pais do menino não queriam que ele crescesse.
- Não filha, não! Isso de passar os genes é involuntário.
- Involuntário significa que os pais queriam que ele sentisse dor?
- Não Sofia, não! Nenhum pai quer que o filho sinta dor!
- Mas eu aprendi na escola que, em Esparta, os pais espacavam seus filhos pra que eles se tornassem mais fortes. Isso é involuntário?
- Não filha, isso é o contrário de involuntário. De qualquer forma, era outra época!
- Hmm. Hoje então os pais preferem que os filhos não cresçam?
- Não! Os pais querem que os filhos evoluam, mas não querem que eles sintam dor!
- Mas a dor não era o único instrumento de crescimento?

quarta-feira, 23 de março de 2011

SEMMERING




Entre Áustria e Itália, há uma região dos Alpes chamada Semmering.
É uma área muito alta, na montanha, e muito íngreme.
Eles construíram um trilho de trem ligando Viena a Veneza.
Eles construíram o trilho antes de existir um trem para percorrê-lo.
Eles construíram porque sabiam que um dia o trem viria.


[Do filme Sob o Sol de Toscana, de Audrey Wells]