quinta-feira, 13 de outubro de 2011

MODERNA SOLIDÃO





É como uma sala vazia, só que não tem paredes. É como sentir falta de vozes que nunca emitiram sons [só letras]. É a ausência de risadas que não são ouvidas, mas vistas, imaginadas e personificadas através do olhar. É o abandono dos cinco sentidos. É o meu abandono, aqui, nesse ambiente virtual. Eu e as fotografias de sorrisos estagnados no tempo, me olhando como se dissessem: "Teclar é em vão. Você está só".

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ORAÇÃO




Meu Senhor,

O Senhor sabe que não procurei por Deus nas escrituras como Santo Agostinho.
Nem o encontrei no caminho para Damasco, como São Paulo.
Um dia gritei seu nome como qualquer pecador devastado pela dor.
Ele me pediu pra lutar por ele e amar os outros como a mim mesmo.
Desde então, em cada continente, em todas as latitudes, eu lutei. 
Lutei e lutei. Mas agora não sei mais pra quem estou lutando.
Não sei mais como amar.
Deve me ajudar, meu Senhor.


[Pacto de Silêncio, com Gérard Depardieu]


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OS SONHOS DE SOFIA

Ficheiro:Pierre-Cécile Puvis de Chavannes 003.jpg




- Pra que servem os sonhos?
- Sonhos são manifestações do inconsciente.
- Então quando eu sonho eu torno consciente o inconsciente?
- Ergh, não é bem assim. Continua no inconsciente.
- Mesmo quando eu lembro do sonho?
- Mesmo assim.
- Então pra que servem os sonhos?
- Pra assimilar traumas, resolver culpas, essas coisas.
- E se nada disso acontece, então eu não tive um sonho?
- Hmmm. Não, não teve.
- E o que eu tive?
- Um pesadelo.

domingo, 7 de agosto de 2011

MUDANÇA INTERIOR




Dava-se nele um fenômeno inteiramente novo, sem precedentes. Não que compreendesse, mas sentia claramente, com toda a intensidade de sua sensibilidade, que não mais podia ter expansões sentimentais como há de pouco, nem de qualquer outra espécie. Nunca, até nesse momento, experimentara sensação tão cruel.


[Dostoiévski, em Crime e Castigo]

INSTINTO DE SOCIABILIDADE




[...] Mas agora, subitamente, sentia a necessidade de conviver. Parecia operar-se nele uma revolução; o instinto de sociabilidade readquirira os seus direitos. Votado todo um mês aos sonhos doentios que a solidão produz, ele estava tão fatigado de seu isolamento, que precisava avistar-se, ainda que fosse só por alguns momentos, com alguém.


[Dostoiévski, em Crime e Castigo]