terça-feira, 27 de março de 2018

A LITERATURA



"A literatura, querida Bárbara, é uma coisa bela, qualquer coisa de extraordinário [...] Ela fortalece o coração do homem, instrui [...] A literatura é, por assim dizer, uma pintura e um espelho; um espelho das paixões e de todos os nossos sentimentos; é, ao mesmo tempo, instrução e lição edificante; é crítica e importante documento humano".

[Gente Pobre, livro. Dostoiévski]

SABER AMAR



"- O amor não deve ser a única verdade?
- Mas para isso, o amor deveria ser sempre verdadeiro.
- Você conhece alguém que sabe de cara quem ama?
- Não é verdade. Quando você tem vinte anos, não sabe o que ama. Você sabe migalhas, se agarra só a sua experiência. Você diz "eu amo isso", é sempre uma mistura. Mas para ser constituído inteiramente daquilo que se ama, é preciso maturidade. Isso significa buscar. Essa é a verdade da vida. É por isso que amor é solução na condição que seja verdadeiro".

[Diálogo entre Nada e um desconhecido, em Vivre Sa Vie, de Jean-Luc Godard]

A MEDIDA DE FALAR É SILENCIAR SEM MEDIDA





"- Por que a gente precisa falar? Muitas vezes deveríamos calar, viver em silêncio. Quanto mais fala-se, menos as palavras significam.
- Eu acho que não podemos viver sem falar. [...] Eu acredito que aprendemos a falar bem quando renunciamos à vida por algum tempo. É quase o preço.
- Então falar é mortal?
- Falar é quase uma ressurreição em relação à vida. Quando falamos, é uma outra vida de quando não falamos. Então para não viver falando, deve-se passar pela morte da vida sem falar [...] Há uma certa regra ascética que te impede de falar bem até olharmos a vida com desapego".

[Diálogo entre Nana e um desconhecido, em Vivre Sa Vie, de Jean-Luc Godard]

PENSAR MENOS, VIVER MAIS






"- Por que você lê?
- É meu trabalho.
- É engraçado. De repente não sei o que dizer. Isso acontece muito comigo. Eu sei o que quero dizer, eu reflito sobre o que quero dizer, mas no momento de dizer eu não consigo.
- Você leu Os Três Mosqueteiros?
- Não. Por que?
- Porque nele Porthos, o grande, o forte, um pouco besta, ele nunca pensou em sua vida, compreende? Então, uma vez ele tem de implantar uma bomba numa adega para explodi-la. Ele o faz. Ele coloca a bomba, acende e sai correndo naturalmente. Mas de golpe ele começa a pensar. Ele pensa no que? Ele se pergunta como ele pode colocar um pé após o outro [...] Então ele para de correr. Ele não pode mais avançar. Tudo explode e a adega cai sobre ele. Ele a segura com seus ombros, ele é forte, mas depois de um dia ou dois, ele cede e morre. A primeira vez que ele pensa, ele morre".

[Diálogo entre Nana e um desconhecido, em Vivre Sa Vie, de Jean-Luc Godard]

TUDO OU NADA





"- Entre o sofrimento e o nada, escolho o sofrimento. O que você escolheria?
- Sofrer é idiota. Escolho o nada. Não é muito melhor, mas o sofrimento é um compromisso. Quero tudo ou nada".

[Diálogo entre Michel e Patrícia, em À Bout de Souffle, de Jean-Luc Godard]

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NOSSO MUNDO



"Num mundo que tinha se tornado um barril de pólvora nuclear com quase um bilhão de pessoas sentadas em cima, era um erro - talvez de proporções suicidas - acreditar que havia uma diferença entre bons atiradores e maus atiradores. Havia um excesso de mãos trêmulas segurando isqueiros perto de um número excessivo de pavios".

[A Torre Negra II, A Escolha dos Três, Stephen King, p. 191]

A MEDIDA DA ALMA



"...Porque lábios libertinos ou venais lhe haviam murmurado frases parecidas, quase não acreditava na pureza das que ouvia agora, achava que se devia fazer desconto nas expressões exageradas que escondiam aflições medíocres, como se a plenitude da alma não se extravasasse, às vezes, nas mais vazias metáforas, pois que ninguém pode jamais dar medida exata às próprias necessidades, concepções ou dores, e já que a palavra humana é como um caldeirão fendido em que batemos melodias para fazer dançar os ursos, quando antes quereríamos enternecer as estrelas".

[Madame Bovary, Gustave Flaubert, p. 195]

DAS CRISES DA ALMA



"... porque se encontrava numa dessas crises em que a alma inteira mostra indistintamente o que encerra, como o oceano, que nas tempestades se abre desde as espumas da margem até a areia dos seus abismos".

[Madame Bovary, Gustave Flaubert, p. 250]

AFINIDADES




"Foi assim, um junto do outro, que eles entraram numa dessas vagas conversações em que o acaso das frases nos conduz a todo instante ao centro fixo de uma simpatia comum"

[Madame Bovary, Gustave Flaubert, p. 93]

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

VALORES

"Um homem sem meta, mesmo se tiver uma conta bancária recheada de dinheiro, é sempre um homem pequeno".

[Sob a Redoma, livro, Stephen King]

RESPOSTAS

"É a regra de Scherlock: depois de eliminar o impossível, a resposta, por mais improvável que seja, é o que sobrar".

[Sobre a Redoma, livro, Stephen King]

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ABOLICIONISMO PENAL: POR DOSTOIÉVSKI




É certo que os presídios e o sistema de trabalhos forçados não melhoram os delinqüentes, aos quais apenas castigam, mas põem a sociedade a salvo de suas ulteriores tentativas de praticarem danos e provêem à sua própria tranquilidade. O presídio e os trabalhos forçados não fazem mais do que fomentar o ódio, a sede de prazeres proibidos e uma terrível leviandade de espírito no presidiário. Estou convencido de que, com o famoso sistema celular, apenas se obtêm fins falsos, enganosos, aparentes. Esse sistema rouba ao homem a sua energia física, excita-lhe a alma, debilita-a, intimada-a, depois apresenta-nos uma múmia moralmente seca, um meio louco, como obra da correção e do arrependimento.

(Memória da Casa dos Mortos, Dostoiévski)


quarta-feira, 30 de abril de 2014

DA DECADÊNCIA DA CIVILIZAÇÃO



(Créditos da Imagem: Revista Oviés)


"(...) Mas com o desenvolvimento da civilização, você sabe.... (...)
A morte do romance e o cultivo de seu espectro estéril, carnal; um mundo que passara a viver sob a respiração forçada do falso brilho e da cerimônia, os passos geométricos simulando um galanteio, tomando o lugar da mais autêntica, mais febril vibração do amor, que agora podia ser apenas vagamente intuído; solenidade oca em lugar de paixões verdadeiras que um dia foram capazes de edificar reinos e sustentá-los"

[A Torre Negra I, O Pistoleiro, Stephen King, p. 158)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

DA RELAÇÃO ENTRE PICASSO E MODIGLIANI



"O futuro da arte está no rosto de uma mulher. Diga-me, Pablo, como é fazer amor com um cubo?" [Modigliani para Pablo Picasso, no filme Modigliani]

DOS OLHOS: A JANELA DA ALMA




- Onde estão meus olhos?
- Estavam longe demais para vê-los. Quando conhecer sua alma, abrirei seus olhos.

[Diálogo entre Jeanne Hébuterne e Amedeo Modigliani, no filme Modigliani]

INDEPENDÊNCIA



"Nada cresce à sombra das grandes árvores" [Constantin Brancusi, escultorsobre sua ruptura com seu mestre, o também escultor Rodin, na biografia de Amedeo Modigliani, escrita por Christian Parisot]

DO FUTURO DA ARTE




"....Um quadro é apenas um pedaço de tela e um pouco de cor: ele não pode valer milhões. Gostaria que cada família livornense tivesse pelo menos um de meus quadros..." [Renato Natali, segundo a biografia de Modigliani, escrita por Chistian Parisot]

DAS CARGAS NO CAMINHO

"Doía, claro que doía. Doía imensamente, mas consegui me acostumar a conviver com isso como quem carrega um fardo. Arrastando uma carga imensa que, embora atrase o passo e exija um esforço redobrado, não impede de seguir o caminho".

[O Tempo Entre Costuras, o livro]

SOFIA SONHOU COM COISAS. DEPOIS CRESCEU E NÃO VIU JAMAIS.

Se há tanta responsabilidade, porque há tão pouca proteção? Se eu deixei de ser dependente, porque não há independência? Se as escolhas são tão difíceis, porque tenho que escolher tudo sozinha? Se as tristezas são tão profundas, porque não há quem me ampare?

Sofia percebeu que, nessa vida, crescer é tão difícil quanto contraditório.


quarta-feira, 20 de março de 2013

MARCO FELICIANO

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos" [Marco Feliciano]

Há dias eu tenho acompanhado as declarações do nosso Ilustre Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Não tenho me manifestado. Por duas razões: a primeira, é porque eu respeito os evangélicos. Respeito, não só porque minha família quase toda é, mas porque acho que ninguém pode ser criticado por manter convicções religiosas (eu respeito até o Silas Malafaia); a segunda é porque não gosto de polêmica e acredito muito naquela frase [clássica] que diz "posso não concordar com o que dizes, mas defendo até a  morte o direito de dizê-las". Hoje, no entanto, perdi a paciência com esse ser humano.

Perdi a paciência, não porque sou feminista. Aliás, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que eu jamais queimaria soutien por aí. Que eu adoraria estar, neste momento, tocando piano e lendo livros em grupo [olhando seriados - sim, porque aceito a evolução]. Não perdi a paciência só porque ele ofende os gays e metade dos meus amigos homens são homossexuais. Eles - TODOS - tem um caráter mais reto e bondoso do que a maioria dos heterossexuais que eu conheço, mas nunca senti que precisava defende-los me manifestando. Aliás, eles se defendem sozinhos e muito bem das atrocidades verbais que leem por aí. Pra mim, o fato deles se interessarem por "xypsilons" e não por "xxizes" não faz a menor diferença. Pff!

Eu perdi a paciência porque não simpatizo com quem não domina a língua portuguesa. Muito menos com quem não sabe falar uma frase com coerência. Perco a paciência com gente que confunde conceitos. "Mulher trabalhando", pro querido defensor das minorias, virou "mulher que não casa". Pior é a estatística: mulher que trabalha demais, só por isso, se interessa por mulher. Se quero os direitos dos homens, é porque quero ser homem, certo Marco Feliciano? Errado. 

Errado. Tudo errado. Errado confundir homossexualidade com pedofilia (dicionário no homem, please!). Errado julgar uma raça amaldiçoada por uma interpretação supostamente bíblica (amaldiçoada sou eu que tenho que ficar lendo as declarações desse homem). Errado dizer que Deus não vai ajudar se o vivente só der o cartão e não a senha. Errado porque essas declarações não representam a fé evangélica. Essas declarações apenas deturpam o objetivo de qualquer religião: espalhar o amor. Elas propagam o ódio e não acredito que alguém ache natural ou que afirme que este homem fala tanta besteira em nome de Deus.

E o pior: a ignorância vai longe. Agora no facebook, milhares de pessoas estão compartilhando uma frase atribuída ao Jean Wyllys, sem sequer pesquisar no google (tão fácil, gente) se a procedência é verdadeira. Coincidentemente, isso também parece ter partido dos seguidores bem instruídos do Tio Marco Feliciano, essa jóia preciosa que habita a Terra e que agora foi escolhida para presidir as minorias. E tem gente que defende. Não tem a ver com religião. É caráter. É com isso que algumas pessoas se identificam. Lamentável.