sexta-feira, 4 de abril de 2014

DO FUTURO DA ARTE




"....Um quadro é apenas um pedaço de tela e um pouco de cor: ele não pode valer milhões. Gostaria que cada família livornense tivesse pelo menos um de meus quadros..." [Renato Natali, segundo a biografia de Modigliani, escrita por Chistian Parisot]

DAS CARGAS NO CAMINHO

"Doía, claro que doía. Doía imensamente, mas consegui me acostumar a conviver com isso como quem carrega um fardo. Arrastando uma carga imensa que, embora atrase o passo e exija um esforço redobrado, não impede de seguir o caminho".

[O Tempo Entre Costuras, o livro]

SOFIA SONHOU COM COISAS. DEPOIS CRESCEU E NÃO VIU JAMAIS.

Se há tanta responsabilidade, porque há tão pouca proteção? Se eu deixei de ser dependente, porque não há independência? Se as escolhas são tão difíceis, porque tenho que escolher tudo sozinha? Se as tristezas são tão profundas, porque não há quem me ampare?

Sofia percebeu que, nessa vida, crescer é tão difícil quanto contraditório.


quarta-feira, 20 de março de 2013

MARCO FELICIANO

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos" [Marco Feliciano]

Há dias eu tenho acompanhado as declarações do nosso Ilustre Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Não tenho me manifestado. Por duas razões: a primeira, é porque eu respeito os evangélicos. Respeito, não só porque minha família quase toda é, mas porque acho que ninguém pode ser criticado por manter convicções religiosas (eu respeito até o Silas Malafaia); a segunda é porque não gosto de polêmica e acredito muito naquela frase [clássica] que diz "posso não concordar com o que dizes, mas defendo até a  morte o direito de dizê-las". Hoje, no entanto, perdi a paciência com esse ser humano.

Perdi a paciência, não porque sou feminista. Aliás, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que eu jamais queimaria soutien por aí. Que eu adoraria estar, neste momento, tocando piano e lendo livros em grupo [olhando seriados - sim, porque aceito a evolução]. Não perdi a paciência só porque ele ofende os gays e metade dos meus amigos homens são homossexuais. Eles - TODOS - tem um caráter mais reto e bondoso do que a maioria dos heterossexuais que eu conheço, mas nunca senti que precisava defende-los me manifestando. Aliás, eles se defendem sozinhos e muito bem das atrocidades verbais que leem por aí. Pra mim, o fato deles se interessarem por "xypsilons" e não por "xxizes" não faz a menor diferença. Pff!

Eu perdi a paciência porque não simpatizo com quem não domina a língua portuguesa. Muito menos com quem não sabe falar uma frase com coerência. Perco a paciência com gente que confunde conceitos. "Mulher trabalhando", pro querido defensor das minorias, virou "mulher que não casa". Pior é a estatística: mulher que trabalha demais, só por isso, se interessa por mulher. Se quero os direitos dos homens, é porque quero ser homem, certo Marco Feliciano? Errado. 

Errado. Tudo errado. Errado confundir homossexualidade com pedofilia (dicionário no homem, please!). Errado julgar uma raça amaldiçoada por uma interpretação supostamente bíblica (amaldiçoada sou eu que tenho que ficar lendo as declarações desse homem). Errado dizer que Deus não vai ajudar se o vivente só der o cartão e não a senha. Errado porque essas declarações não representam a fé evangélica. Essas declarações apenas deturpam o objetivo de qualquer religião: espalhar o amor. Elas propagam o ódio e não acredito que alguém ache natural ou que afirme que este homem fala tanta besteira em nome de Deus.

E o pior: a ignorância vai longe. Agora no facebook, milhares de pessoas estão compartilhando uma frase atribuída ao Jean Wyllys, sem sequer pesquisar no google (tão fácil, gente) se a procedência é verdadeira. Coincidentemente, isso também parece ter partido dos seguidores bem instruídos do Tio Marco Feliciano, essa jóia preciosa que habita a Terra e que agora foi escolhida para presidir as minorias. E tem gente que defende. Não tem a ver com religião. É caráter. É com isso que algumas pessoas se identificam. Lamentável.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A FALTA DE FÉ QUE ME FAZ...


Em épocas de democratização da comunicação, em que é permitido que todos opinem sobre tudo, desenvolvi um prazer mórbido em ler as manifestações opinativas sobre determinado tópico, texto e manifestação crítica na internet. Essa patologia tem até um modus operandi: primeiro eu degusto o texto e depois meus olhos se dirigem, sem pudor, ao universo de comentários que se situa, geralmente, abaixo dele. É aí que eu meu cérebro emite pro meu corpo uma série de sensações.

Os seres pensantes da web se traduzem em várias categorias. Primeiro, o grupo de apoio que se subdivide em: puxa-sacos (20%), amigos do autor do texto (60%), os sem-opinião-que-preferem-não-contrariar-ninguém (19%) e, por fim, os que realmente entenderam a idéia do texto e o apoiam (1%). Essa turma é pacífica e geralmente utiliza palavras de otimismo e de afeto, rasgando elogios ao autor, à escrita, ao tema, ao mundo e à vida.

Logo depois encontramos o grupo dos comediantes, que trata todo e qualquer assunto com muito bom humor, mesmo quando o texto trata de catástrofe e morte. Esses são subdividos em: piadistas (50%), ironicos (20%), sarcásticos (20%) e trolladores (10%). Os meus preferidos são os irônicos e sarcásticos, que não raro são confundidos com o primeiro grupo e apoiados, mesmo não concordando meio por cento com a idéia central do texto.

O terceiro grupo é a tribo dos críticos. Tem muita gente boa participando dele, como por exemplo os questionadores (30%). Mas também tem muita mala-sem-alça, como os revoltados-sem-causa (40%), os indignados-com-o-mundo (10%) e os do-contra (20%) que são capazes de contrariar as próprias opiniões para contrariar a idéia do texto. Esse grupo é conhecido pelo número de pontos de interrogação utilizados e por contar histórias pseudo-reais envolvendo o assunto desenvolvido com resultado diferente da conclusão sugerida pelo autor.

E por último, o mais perigoso, é o grupo dos xiitas. Eu costumo separar esse grupo em pessoas-que-não-fazem-sexo (30%), semi-analfabetos (50%), descontrolados (10%), bagaceiros e idiotas (9%) e os terroristas (1%) – nessa última categoria, se incluem os criminosos de todo-o-gênero. São conhecidos por usarem a CAPS LOCK com frequência e são seres desprovidos de argumento, recorrendo a palavras de baixo-calão e apelando pra ataques pessoais contra o autor do texto, mesmo quando o autor não é conhecido. Esse grupo, não raro, desconhece a gramática.

E eu, no meio dessa fauna comentarista, fico seriamente impressionada e tenho um certo saudosismo da era da exclusão digital, em que o acesso à informações era escasso e o direito a opinião ficava restrito ao ambiente familiar e não se multiplicava – assim indiscriminadamente – pelas redes sociais, produzindo discussões inúteis e superficiais e muitas vezes disseminando covardemente o ódio que fica escondido atrás de computadores e androids.

Eu sei, esse texto também é uma opinião, mas a humanidade, de boca fechada, me inspirava mais fé.