sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

SOBRE A FÉ




Tu não desceste da cruz quando gritavam, zombando de ti "Desce e acreditaremos que és Filho de Deus". Não desceste porque não querias escravizar o homem pelo milagre e só desejavas uma fé espontânea. Querias um amor que fosse livre e não os transportes servis de um escravo aterrorizado. Tinhas um conceito demasiadamente elevado dos homens, pois todos eles são escravos. Olha e julga por Ti mesmo, depois de volvidos quinze séculos, quem elevaste ao teu nível.


[O grande Inquisidor, capítulo do livro Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski]

DA VIDA (ACIMA DE TUDO)



Se eu não acreditasse mais na vida, se duvidasse do amor, se me desiludisse da ordem das coisas e, pelo contrário, me convencesse de que tudo não passa de um maldito caos, mesmo se caíssem sobre mim todos os horrores da desilusão humana - apesar de tudo, eu quereria viver.


[Irmãos Karamazov, de Dostoiévski]

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PARCERIAS





Algumas vezes os parceiros nos encontram. E mesmo tentando afastá-los entram em nossas vidas despretensiosamente. Até que finalmente percebemos o quanto precisamos deles.

[Dexter, 7º episódio/ 5ª Temporada]

SOBRE A DOR



Ninguém escapa da própria dor
Ela está lá ao escovar os dentes à noite
Está lá antes do café da manhã
Ela surge afiada e impiedosa
Deixa você triste e pensativo
Só lhe resta torcer para ter um bom dia
Porque é num dia bom que você diz a si mesmo:
"Posso dar um jeito nisso"
"Hoje pode ser diferente"
"Hoje alguma coisa pode mudar"


[Trecho do filme Tenderness, com Russel Crowe]

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

TUDO PASSA?


Tudo passa. Se existisse um óscar de clichês, certamente “tudo passa” estaria entre os indicados. Em todas as línguas, todas as culturas, ninguém duvida que tudo passe. Tout passe, na França. Na Itália, tutto passa. De país em país, de mãe pra filho, de irmão pra irmão, tudo passa é uma verdade inquestionável. Mas será mesmo que tudo passa?

Eu diria que não. Contrariando gerações inteiras, eu diria: Não. Nada passa. Tudo fica. Fica e se transforma. As dores, as mágoas, o ódio, o amor, a alegria, as perdas, as chegadas, as partidas. Tudo permanece. Os sentimentos, as impressões e as experiências afetivas, uma vez que tenham invadido espaço, ficam no exato lugar em que originalmente estavam. Ficam, mas não são estáticos. Tímidos que são, aguardam – ilhados – o momento da metamorfose e da grande mudança.

Até que um dia tudo se transforma. O tombo de bicicleta passa a ser uma lição. A dor da perda passa a ser uma saudade. O amor passa a ser só afeto. E o ciclo se encerra. Mas os sentimentos permanecem: não passam, nunca passaram e nunca vão passar. É um engano esperar que isso aconteça. É uma ingenuidade aguardar que o nosso imenso potencial afetivo desperdice o tudo, deixando-o passar, assim, impune, sem aprisioná-lo.

Não alimentem essa ilusão.

Nada passa.