segunda-feira, 21 de novembro de 2011
SOBRE A DOR
Ninguém escapa da própria dor
Ela está lá ao escovar os dentes à noite
Está lá antes do café da manhã
Ela surge afiada e impiedosa
Deixa você triste e pensativo
Só lhe resta torcer para ter um bom dia
Porque é num dia bom que você diz a si mesmo:
"Posso dar um jeito nisso"
"Hoje pode ser diferente"
"Hoje alguma coisa pode mudar"
[Trecho do filme Tenderness, com Russel Crowe]
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
TUDO PASSA?
Tudo passa. Se existisse um óscar de clichês, certamente “tudo passa” estaria entre os indicados. Em todas as línguas, todas as culturas, ninguém duvida que tudo passe. Tout passe, na França. Na Itália, tutto passa. De país em país, de mãe pra filho, de irmão pra irmão, tudo passa é uma verdade inquestionável. Mas será mesmo que tudo passa?
Eu diria que não. Contrariando gerações inteiras, eu diria: Não. Nada passa. Tudo fica. Fica e se transforma. As dores, as mágoas, o ódio, o amor, a alegria, as perdas, as chegadas, as partidas. Tudo permanece. Os sentimentos, as impressões e as experiências afetivas, uma vez que tenham invadido espaço, ficam no exato lugar em que originalmente estavam. Ficam, mas não são estáticos. Tímidos que são, aguardam – ilhados – o momento da metamorfose e da grande mudança.
Até que um dia tudo se transforma. O tombo de bicicleta passa a ser uma lição. A dor da perda passa a ser uma saudade. O amor passa a ser só afeto. E o ciclo se encerra. Mas os sentimentos permanecem: não passam, nunca passaram e nunca vão passar. É um engano esperar que isso aconteça. É uma ingenuidade aguardar que o nosso imenso potencial afetivo desperdice o tudo, deixando-o passar, assim, impune, sem aprisioná-lo.
Não alimentem essa ilusão.
Nada passa.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
MODERNA SOLIDÃO

É como uma sala vazia, só que não tem paredes. É como sentir falta de vozes que nunca emitiram sons [só letras]. É a ausência de risadas que não são ouvidas, mas vistas, imaginadas e personificadas através do olhar. É o abandono dos cinco sentidos. É o meu abandono, aqui, nesse ambiente virtual. Eu e as fotografias de sorrisos estagnados no tempo, me olhando como se dissessem: "Teclar é em vão. Você está só".
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
ORAÇÃO
Meu Senhor,
O Senhor sabe que não procurei por Deus nas escrituras como Santo Agostinho.
Nem o encontrei no caminho para Damasco, como São Paulo.
Um dia gritei seu nome como qualquer pecador devastado pela dor.
Ele me pediu pra lutar por ele e amar os outros como a mim mesmo.
Ele me pediu pra lutar por ele e amar os outros como a mim mesmo.
Desde então, em cada continente, em todas as latitudes, eu lutei.
Lutei e lutei. Mas agora não sei mais pra quem estou lutando.
Lutei e lutei. Mas agora não sei mais pra quem estou lutando.
Não sei mais como amar.
Deve me ajudar, meu Senhor.
[Pacto de Silêncio, com Gérard Depardieu]
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
OS SONHOS DE SOFIA
- Pra que servem os sonhos?
- Sonhos são
manifestações do inconsciente.
- Então quando eu sonho
eu torno consciente o inconsciente?
- Ergh, não é bem
assim. Continua no inconsciente.
- Mesmo quando eu lembro
do sonho?
- Mesmo assim.
- Então pra que servem
os sonhos?
- Pra assimilar traumas,
resolver culpas, essas coisas.
- E se nada disso
acontece, então eu não tive um sonho?
- Hmmm. Não, não teve.
- E o que eu tive?
- Um pesadelo.
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